imagens/loqueparoquia01.jpg (10300 bytes)

VIA-SACRA PÚBLICA - SEMANA SANTA 2007
REALIZADO NA FRENTE DAS RESIDÊNCIAS DA RUA DR. VIRGÍNIO MARQUES

1ª ESTAÇÃO
JESUS É CONDENADO À MORTE

Assim como Jesus, hoje muitos são condenados a morte. Irmã Dorathy foi condenada à morte por estar ao lado dos pequenos e excluídos. Ainda hoje, aqueles disparos ressoam nas entranhas da selva, produzindo uma infinidade de ecos. É um grito ao Deus que se compadece do pobre, do excluído, do sem vez e sem voz, mas para que haja justiça, solidariedade e misericórdia.


2ª ESTAÇÃO
JESUS CARREGA A CRUZ

Os povos da Amazônia, carregando a cruz do descaso que a sociedade impõe, sofrem pela ação de empresas internacionais, que exploram suas riquezas, justificando projetos de pesquisa cientifica que camuflam objetivos não declarados a que aumentam ainda mais as cruzes do povo: desemprego, pobreza, desapropriação de terra, êxodo rural, desenraizamento cultural....


         3ª ESTAÇÃO
     JESUS CAI PELA PRIMEIRA VEZ
Diante das dificuldades e da fraqueza, sentimos o peso da cruz e caímos. Na Amazônia, muitos tombam por lutarem por idéias e por tentarem sensibilizar e conscientizar para a realidade desta terra, hoje. Homens e mulheres se transformam em símbolos de conquistas e vitórias, ensinando que toda mudança começa por nós. Se a cruz é pesada, vamos carregá-la juntos e conseguiremos construir um futuro melhor.


4ª ESTAÇÃO
JESUS SE ENCONTRA COM SUA MÃE

Maria chorou a dor de seu Filho. Hoje muitas mães sofrem e choram a perda e o desaparecimento de seus filhos. Toda Amazônia sofre e padece pela violência praticada contra suas matas, rios e fauna. Dor das Mães por verem seus filhos e filhas sem esperança, muitas vezes entregues à prostituição em tenra idade sem futuro. Deste chão sai um grito por vida e libertação.


         5ª ESTAÇÃO
  O CIRINEU AJUDA JESUS A CARREGAR A CRUZ
Recordamos os homens e as mulheres que assumem as atitudes do Cirineu e se colocam ao lado dos que sofrem, dos excluídos e dos marginalizados. Lembramos: Chico Mendes, por lutar e defender a vida do meio ambiente. Irmã Cleuza Coelho, por defender a causa indígena. O índio Chicão Xukuru, morto no conflito por terra. Padre Josimo, por defender a causa da reforma agrária. Lembramos tantos padres, religiosas, missionários, leigos, bispos, lideres comunitários que, na Amazônia estão do lado do povo. E em nossa comunidade, quem são os Cirineus?


        6ª ESTAÇÃO
  VERÔNICA ENXUGA O ROSTO DE JESUS
Quem toma a atitude de enxugar o rosto de Jesus é uma mulher, Verônica. Lembramos, agora, tantas mulheres que, com garra, dinamismo, perseverança, com suor no rosto, lutam pela sobrevivência de seus filhos, em terra onde as mulheres não tem seus direitos respeitados. Missionárias(os), que consolam os rotos feridos e machucados pelos maus-tratos da vida.


         7ª ESTAÇÃO
     JESUS CAI PELA SEGUNDA VEZ
Vivemos num mundo no qual impera o individualismo. Num mundo onde se busca a felicidade a todo custo, na estética e no culto do corpo; no lucro desenfreado; no poder e no prazer. Num mundo em que se quer uma religião de mercado, na qual se busca o produto que mais agrada, que mais dá prazer. Neste mundo, às vezes, falta uma opção mais profunda pelo seguimento à pessoa de Jesus e seu projeto.


       8ª ESTAÇÃO
  JESUS CONSOLA AS MULHERES DE JERUSALÉM
A Campanha da Fraternidade alerta: a Amazônia sofre as dores do mundo moderno. Assim como Jesus para e consola as mulheres que choram sua dor, devemos parar e consolar a dor e o sofrimento de tantos rostos golpeados, vitimas da droga, da exploração sexual, do alcoolismo e da Aids.


         9ª ESTAÇÃO
   JESUS CAI PELA TERCEIRA VEZ
Jesus é preso, torturado e condenado à morte. Cai por terra, porque denunciou a maldade, o pecado, e anunciou o Reino de Deus. Hoje, no imenso território amazônico, ainda constatamos irmãos e irmãs condenados à morte, presos e torturados porque defendem a causa dos pequenos e oprimidos, dos crucificados pelo sistema: os sem-terra, sem-teto, sem-saúde, sem-escola, os desempregados colocados à margem da sociedade. Lembramos agora as vitimas do massacre de Carajás.


10ª ESTAÇÃO
JESUS É DESPIDO DE SUAS VESTES

Ao lembrarmos que Jesus foi despido de suas vestes e de sua dignidade, vem à nossa mente os grandes rios, lagos, igarapés e as imensas florestas. Com o egoísmo e a ganância dos homens vem a destruição do verde que ameaça a biodiversidade, o desrespeito ao ecossistema, ao meio ambiente. Vêm o tráfico das espécies e a exploração das riquezas naturais que ameaçam seriamente o patrimônio da humanidade. A destruição da natureza é desrespeito à obra de Deus e põe em risco o futuro da vida na Terra.


        11ª ESTAÇÃO
     JESUS É PREGADO NA CRUZ
Jesus continua sendo pregado na cruz naqueles que estão condenados a morrer de forma desumana: crianças, adolescentes e jovens, vitimas da exploração e do turismo sexual: adultos e idosos maltratados no seu direito à vida e a saúde, esmagados pela violência do poder econômico, que fragmenta e explora a família, seus costumes e valores.


       12ª ESTAÇÃO
       JESUS MORRE NA CRUZ
Jesus continua morrendo hoje, no desprezo e na discriminação racial. Ele morre hoje na ganância e na concentração dos bens que, pelo poder e desejo dos que querem ter sempre mais. Ele morre no subempregado, cujo salário não permite viver dignamente. Sofre a paixão nas favelas das periferias urbanas da Amazônia e de todo Brasil, nos drogados e doentes sem socorro. Jesus morre quando perdemos a memória de nossa história e de nossa raízes.


13ª ESTAÇÃO
JESUS É DESCIDO DA CRUZ

    Maria recebe em seus braços o filho de Deus, descido da cruz. Lembramos a profecia de Simeâo: uma espada de dor vai transpassar seu coração. Hoje, fazemos memória de tantas pessoas feridas profundamente pela dor e pelo sofrimento, na perda de parentes e amigos, vítimas da violência e de acidentes de todo tipo. A Amazônia padece pela falta de recursos e equipamentos para tratamento adequado da saúde. 


       14ª ESTAÇÃO
       JESUS É SEPULTADO
Solidário com Jesus, José de Arimatéia pede a Pilatos o corpo do Senhor e o coloca num túmulo novo. Os índios, muitas vezes, tiveram que enterrar seus costumes, suas raízes, seus sonhos. O índio ao matar o peixe, divide entre os seus. Quando faz comida, ele a divide. Quando caça, ele a divide. Quando faz bebidas, ele as divide. E nós? O que dividimos? O índio não é dono da terra, a terra é da comunidade, ele dela cuida com muito respeito e carinho.


        15ª ESTAÇÃO
       JESUS RESSUSCITOU
Demarcação das terras Raposa Serra do Sol. É bom podermos, finalmente, celebrar juntos com os povos Macuxi, Wapechana, Ingarica, Taurepang e Patomana essa vitória. Ela confirma o lema do V Encontro Continental de Teologia Índia em abril de 2005: "A força dos pequenos, vida para o mundo". "Vamos em frente. Não desanimemos, um novo amanhecer nos aguarda e nós somos responsáveis por esta nova aurora que anunciará as boas novas de uma sociedade sem explorados e exploradores. E haverá, então, mesa de irmãos. Teremos em plenitude a vida e o pão. Deus será da terra o único Senhor. Construiremos o reino de amor" (Chico Mendes).

Textos extraído do livreto da Via-Sacra da Campanha da Fraternidade 2007 da CNBB, cujo tema é Fraternidade e Amazônia, e o lema, Vida e missão neste chão. Editado pela Editora Salesiana.